Almanaque da Lua Vazia Começa::7 jan às 04:06
Termina:7 jan às 16:13
Almanaque da Lua Vazia
Almanaque da Lua Vazia
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Nossa espécie humana ocupa, no cosmos, o lugar de pontífice, não por ser líder suprema de uma seita religiosa, mas por constituir uma ponte entre dois mundos, um visível e concreto, e outro invisível e abstrato.

Nós, humanos, somos capacitados a perceber esses dois tipos de realidade, e não apenas intervir nesses mundos como também estabelecer uma via de comunicação entre eles.

Por isso, o nosso bem-estar físico e emocional, que é a garantia de continuarmos funcionando como pontífices, depende da alternância constante entre as experiências objetivas e subjetivas, razão pela qual ocorre o ciclo circadiano de vigília (objetividade) e sono (subjetividade).

No entanto, essa alternância não se limita ao ciclo de vigília-sono, mesmo durante a vigília, teoricamente consagrada à objetividade, acontecem períodos subjetivos, e vice-versa.

Num momento cultural como o nosso, em que a objetividade é valorizada em detrimento da subjetividade, que é tratada como uma percepção inferior, dado não poder ser explicada racionalmente, uma parcela enorme dos sintomas patológicos, tais como depressão, ansiedade, histeria e pânico deriva desta falha.

Repito, o bem-estar físico e emocional de um ser humano normal depende da constante alternância entre as experiências objetivas e subjetivas. Entender o que é objetividade, e o que é subjetividade, não é difícil. Quanto mais objetiva for uma experiência, mais informações ela terá de excluir para definir-se.

Quanto mais subjetiva for uma experiência, mais informações ela terá de incluir para ser considerada como tal.

A objetividade é excludente e definida, a subjetividade é inclusiva e indefinida.

Nenhuma experiência é melhor do que a outra, é essencial a alternância das duas. A objetividade serve ao processo produtivo, e a subjetividade serve à sintonia com o cosmos infinito. Quando mais abrangente for a informação, mais subjetiva terá de ser a experiência, porque terá de caber mais coisa nela. Quanto mais limitada for a informação, mais objetiva terá de ser a experiência, porque terá de caber menos coisa nela.

Onde entra a Lua vazia nisto?

Lua vazia, conceito cuja infeliz tradução ao português adotou o nome “Lua fora de curso”, é o período em que a Lua não se relaciona com outros planetas do sistema solar até ingressar no próximo signo, e reiniciar a sua bateria de relacionamentos planetários.

O termo vazio não significa que a Lua deixe de brindar com alguma informação, mas sim que a informação oferecida é altamente subjetiva, dado ela não provir dos planetas próximos, mas dos confins do infinito.

A perspectiva de relacionamento da Lua com os planetas de nosso sistema solar promove a objetividade e a realização concreta.

A falta de perspectiva dos relacionamentos lunares com os planetas evoca a informação do vazio, profundamente subjetiva.

É por essa razão que as pessoas mais negativamente afetadas pelos períodos de Lua vazia são aquelas teimosas que insistem em fazer de conta que a parte valiosa da existência só reside na objetividade, deixando a subjetividade para as mulheres, as crianças e os poetas.

A Lua vazia é inútil para os empreendimentos concretos, mas extremamente funcional para as experiências subjetivas, onde se renda culto ao infinito universo.